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sábado, 25 de junho de 2011




Cinema e a democratização das mídias.




Há um tempo queria escrever sobre esse tema envolvendo cinema e a democratização das mídias. A associação entre esse dois termos traz inúmeras consequências para o cinema, não somente para esse meio, mas tudo a que se refere a expressão ou comunicação. No entanto, como a nossa análise está voltada a sétima arte, iremos direcionar o esforço de nossa investigação para o cinema.

Não irei falar aqui das inúmeras consequências positivas que a democratização oferece ao cinema e àqueles que são amantes da arte, simpatizantes ou ainda apenas querem uma experiência nesse campo. Não colocarei a forças nesse aspecto, até porque acho que todos nós poderemos encontrar várias coisas a respeito sobre esse assunto. Mas nesse texto quero encarnar o personagem que ao fazer a oposição a esse tema, oferece um tipo de reflexão que pouco vejo falarem. Assim oposição é necessária.

Contudo é importante frisar que não sou contra a democratização dos meios, ao contrário, sou ativista. Faz-se pertinente dizer isso, pois tenho certeza que irei ferir a idealização de muitos ao pensar sobre esse ponto, especialmente sobre a banalização que a democratização das mídias trazem ao cinema. É aquela idéia tão brasileira em nosso cinema e que parece ser o slogan de inúmeros ativistas da sétima arte, dita por Glauber Rocha: "uma idéia na cabeça e uma câmera na mão". Aqui começo a questionar uma das consequências, talvez a mais nociva ao cinema como arte. Desse modo, faço uma cisão ao enunciar que nem todo filme é arte. Seria um pouco da idéia da Escola de Frankfurt que não irei me estender, pois tornaria esse texto muito cansativo.

Voltando a idéia de Glauber que nos revela a necessidade de incentivar a execução de filmes ao pronuciar a concepção de uma idéia e uma câmera, coisa típica da democratização ou popularização das mídias, coloco aqui já dois aspectos: Falta de conhecimento e de um mínimo de estrutura. Primeiro sabemos que um filme não se faz apenas com uma idéia e uma câmera. O processo da cadeia produtiva fílmica vai muito mais além do que essa concepção simplista do fazer cinematográfico. E só pra não citar todas os aspectos de produção, daria um exemplo abstrato da concepção de autor de André Brazin. Se realmente o processo de feitura de um filme fosse apenas uma idéia e uma câmera a concepção de autor de André Bazin estaria totalmente resolvida.

O outro aspecto e acredito que seja o mais interessante para reflertimos sobre o que a idéia de Glauber nos mostra é a de falta de conhecimento. Se Glauber pudesse refazer essa idéia acredito que ele colocaria a palavra livro, ou melhor, conhecimento do meio. E aqui reside o problema da democratização. No momento em que você dar possibilidades para execução ocorre a banalização, pelo fato das pessoas não estarem preparadas. Por outras palavras, a democratização não ajuda no amadurecimento do cinema como arte se as pessoas que fazem filme não amadurecerem no conhecimento e compreensão da arte. É incrível o número de pessoas fazendo filme. Isso é indiscutível e louvo pelos quatro cantos que tem que se fazer filme. Mas também é indiscutível o quanto de obras pobre que acabamos assistindo. O número de filmes aumentam e parece que pouco muda, pois os bons filmes ainda são seletos.

E a problemática desse aspecto é que produtores acham que é desnecessário conhecer a história, as escolas e teorias do cinema, bem como assistir filmes. Acham que a necessidade é apenas ter uma idéia na cabeça e saber manipular uma câmera. Essa concepção dita por Glauber e que logo após o mesmo reconheceu que não era bem assim, acabou e continua perpetuando nas mentes de ativistas ou de pessoas que julgam-se cineastas ou diretores de fotografia sem conhecer praticamente nada sobre cinema, como já muito ouvi as pessoas pronunciarem: "sou cineasta" ou "sou diretor de fotografia".

Esse fenômeno emerge com a popularização das mídias e traz um problema pouco discutido que é a qualidade dos produtos. E esse aspecto precisa ser estimulado. Não há como fazer filme se você não gosta de assistir a filmes ou procurar conhecer mais sobre os escritos de cinema. E digo mais, não basta assistir os filmes da Globo, pois como coloquei acima nem todo filme é uma obra de arte. Existem os filmes de puro entretenimento em que você apenas fica passivo e assisti a uma explosão de cores e cortes sucessivos que nada acrescentam.

O cineasta russo Andrei Tarkovski em seu livro Esculpir o Tempo deu algumas diretrizes sobre a questão da obra de arte. Essa se faz muito mais complexa e não envolve apenas instinto ou iluminação, mas conhecimento profundo da arte. Tarkovski nos diz que a obra de arte tem que ser um equilíbrio de princípios opostos. E poucas pessoas querem conhecer sobre esses princípios que na verdade é apenas um aspectos entre tantos, pois hoje, todos se dizem cineastas.

Os meios de produção atualmente estão acessíveis, graças a Deus, mas ainda estamos incapazes de sabermos utilizá-los da melhor forma. Assim, como o filósofo Gilles Deleuze, também questiono: "Em que isso ajuda no desenvolvimento e amadurecimento do cinema?". Se reflertimos com atenção nesse aspecto perceberemos que pouco mudou quando se faz cinema como arte na era da democratização das mídias, pois as obras de arte no cinema ainda são escassas. Por aqui finalizo, para não deixar mais esse texto mais exaustante, pois na era da democratização pouco se busca lê, tudo tem que ser rápido e curto. No entanto termino dizendo: "uma idéia na cabeça, uma câmera na mão e livros e filmes na outra".

segunda-feira, 20 de junho de 2011




Plágio, Homenagem e Inspiração.

Certo dia assisti a um filme do grande cineasta alemão Ernst Wilhelm, ou como é mais conhecido, apenas Wim Wenders. Wim Wenders é uma das poucas relíquias de diretores que ainda continuam vivo e em atividade. É uma das figuras expressivas do Novo Cinema alemão. No entanto, o objetivo desse texto não é falar sobre a figura do cineasta alemão, embora não deixaria de ser interessante e muito instrutivo para quem ver o cinema como um meio além do entretenimento.
O filme a que me remeti acima era o denominado Alice nas Cidades (1974). E enquanto deixava-me conduzir pela maestria de Wim Wenders, cada vez sentia-me mais familiarizado com a história da garotinha que percorria todas as partes das cidades em busca de sua avó com a ajuda de um jornalista que retornava dos Estados Unidos para a Alemanha. A partir disso, cresce entre a criança e o jornalista uma grande amizade.
Bom, não sei se nessas poucas linhas escritas, alguém poderá sentir uma espécie de dejà vu, ao ter a sensação de já ter visto o filme, ou essa história. Se o filme de Wim Wenders não fosse de 1974, categoricamente eu diria em voz alta, sem receio de estar cometendo alguma injustiça, que Wenders fez um cópia do filme brasileiro Central do Brasil de Warter Salles. Contudo se a sentença anterior não é verdadeira a inversa não deixa de ser falsa. Assim posso dizer em voz alta que “Central do Brasil de 1998 é uma cópia de Alice nas Cidades de 1974!”. Você pode encontrar todos os elementos que ligam uma obra a outra: uma criança, uma pessoa mais adulta; elas buscam um parente da criança; é um filme de viagem (road movie); a criança e a pessoa adulta criam uma afinidade, etc.
Central do Brasil junto com Carlota Joaquina, princesa do Brasil (1995) de Carla Camurati são e foram filmes importantíssimos da retomada do cinema brasileiro. Sendo que Central do Brasil, como todos sabem, foi um filme com ótima crítica e muito premiado, sendo indicado ao Oscar como melhor filme estrangeiro, perdendo para o filme italiano A vida é Bela (1997) de Roberto Benigni. Será que Central do Brasil não ganhou ao prêmio porque a banca do Oscar deve ter percebido esse plágio  ou seria inspiração de Walter Salles?
Aqui entramos no ponto principal desse texto: o que é plágio, homenagem e inspiração? Essa tríade parece ter as fronteiras conceituais cada vez mais tênue, suave que se torna em uma tarefa exastante em tentar defini-la, por isso não pretendo entrar nesse aspecto conceitual, mas trazer a tona alguns casos e deixar várias perguntas a se pensar.

Walter Salles na época de Central do Brasil, pelo que pude acompanhar, nem comentou ou tocou no nome de Alice nas Cidades ou de Wim Wenders para dizer que o filme fazia uma homenagem ou foi inspirado na obra do alemão. Acredito que tampouco o alemão chegou a ver Central do Brasil, se não estaria reclamando seus direitos autorais. Além do mais, para não sentir-me culpado com essa afirmação, antes de escrever esse artigo dei uma conferida no site de Central do Brasil para investigar se havia alguma referência ao filme de Win Wenders nem que fosse dizendo que o filme desse cineasta havia inspirado Walter Salles, caso que não encontrei. Desse modo podemos dizer que Walter Salles cometeu um crime de plágio?

Alice nas Cidades (1974)


Bom, para não ficar apenas criticando cineastas brasileiros, evitando assim de ser posteriormente acusado de anti-nacionalista, trago para esse artigo o famoso, aclamado e revolucionário estético do cinema pós-moderno do qual muitas pessoas assim gostam de adjetivá-lo, Quentin Tarantino, o responsável por obras como Cães de Aluguel, Kill Bill, Bastardos Inglórios, Pulp Fiction, etc. Quentin Tarantino, ator de formação e cineasta americano é um tipo de diretor que gosta de anunciar que está sempre fazendo uma homenagem ao cinema e a sua história. Aqui lanço mais um questionamento: podemos dizer que Quentin Tarantino nada inventou, mas apenas fez uma cocha de retalhos?
Pois bem, todos seus filmes apresentam homenagens. Sabe-se que o diretor é um fissurado em cinema e uma enciclopédia fílmica. Isso o faz ser um diretor que poderia ser classificado como o “cineasta das homenagens”. Não como Brian de Palma que em Os Intocáveis (1987) claramente fez uma homenagem a Sergei Eisenstein e a sua antológica cena da escadaria de Odessa em O Encouraçado de Potemkin (1925) ao usar a cena do carrinho de bêbe em seu filme. Quentin Tarantino age de maneira diferente. Suas homenagens tornam-se várias dentro de um mesmo filme, por isso disse acima que seus filmes são uma cocha de retalho, porque realmente o são. Em Kill Bill: volume 1 (2003) parece que 50% do filme possui alguma referência, no meio acadêmico denominamos isso de “citação”. Mas na citação sempre há o credito dado ao autor responsável pelo frase ou concepção. Nesse sentido poderíamos afirmar que Quentin é um plagiador, já que ele não credita todas as suas citações em sua obra? E como no cinema poderia ser creditado? Caso a se pensar.

Me ocorre agora uma canção de Legião Urbana que parece-me se encaixar perfeitamente nessa discussão. Não a canção, mas uma frase dela que diz: “(...) quais as palavras que nunca foram ditas?”. Poderia ser esse o caso do cinema? Será que não há nada mais a dizer que não tenha sido dito? Ou melhor, não há mais nada o que filmar e como filmar que não tenha sido já realizado? Seria tudo “cópia da cópia” como disse Tyler Durden em Clube da Luta (1999) de David Fincher, ou caso prefiram por poder parecer mais original a frase de Aristóteles ao enunciar que nada se cria, mas tudo se cópia? Ainda mais nessa era que vivemos em que tudo é imagem, em que as mídias se tornaram popular.

Poderia citar outras inúmeras obras que fazem homenagens (ou seria inspiração? plágio?) e outras que são acusadas de plágio como: Paranóia (2007) de Steven Spielberg que “inspirou-se” em Janela Indiscreta (1954) de Alfred Hitchcock e esqueceu-se de comprar os diretos autorais do cineasta britânico. Inclusive esse caso de compra de direitos autorais para relançar uma obra fílmica clássica é usual no cinema pós-moderno, especialmente para o cinema americano que vive relançando obras clássicas ou então recentes, mas de outras praças como o filme chinês Conflitos Internos (2002) de Siu-fai Mak que foi relançado (remake) como Os Infiltrados (2006) de Martin Scorsese. Tão curioso é esse tema que Siu-fai em entrevista disse que sentia-se tão ganhador do Oscar de melhor filme como Scorsese se sentia, já que de acordo com o diretor Os Infiltrados pouco ou quase nada alterou Conflitos Internos, tal fato que este crítico que assistiu os dois filmes pode assegurar.

Então fica a pergunta: O que é plágio, homenagem e inspiração? É impossível não fazer mais nada de original? O cinema ou a arte em geral estão em crise? Chegamos ao limite da nossa criatividade? São vários questionamentos a responder, enquanto isso não nos espantemos caso um dia possamos olhar algo que tenhamos feito assinado por outras mãos, já que tudo se "cópia, nada se cria".

Acima: Os Infiltrados. Abaixo: Conflitos Internos


sexta-feira, 17 de junho de 2011



Lars Von Trier e Anticristo (2009).



Lars Von Trier

Dividido em prólogos, característica esta tão comum ao teatro, Lars Von Trier em Anticristo (Antichrist) ousou-se a falar sobre o bem e o mal. Não somente esse assunto, mas um turbilhão de outras temáticas como a loucura, e a sua incredulidade quando o assunto é ao tratamento psicológico.
Ousar parece ser uma palavra que faz parte da natureza do cineasta dinamarquês. Ele ousa não só pela quebra da narratividade do filme em prólogos, aspecto esse já utilizado em um filme seu anterior, Dogville, mas sim pela sua incapacidade em não relacionar o filme como uma forma de provocação. Provocar o público, provocar os diretores, provocar a crítica... provocar!
Confesso que no decorrer do filme pensei inúmeras vezes: “Não precisaria colocar essa cena.” Isso é um pensamento habitual que certamente todos os espectadores de Anticristo naturalmente são levados a balbuciar, mesmo que em um rápido pensamento. E isso eu não digo em relação ao início do primeiro prólogo que leva à tela uma penetração e não a sua simulação, pois o sexo na estética cinematográfica contemporânea acabou se tornando normal, levando muitos a dizerem que cinema e sexo são co-irmãos.
Quando remeto-me a provocação de Lars, refiro-me a intensidade da violência da imagem que salta da tela aos olhos dos espectadores. As cenas de perfuração do corpo humano são bastante fortes. Mas aí alguém pode rebater: “Sim, mas não faz parte da estética pós-moderna do cinema? E Jogos Mortais?”. No entanto, prefiro acreditar que a mutilação, perfuração, etc; não precisa fazer parte da estética e que causar uma sensação de terror, não necessitaria de dar visibilidade a pulsação do sangue ou cortar o corpo em fatias. Aposto que a vanguarda do expressionismo do cinema estaria levantando essa bandeira comigo.

Cena de Anticristo
No entanto, eis Lars Von Trier. Cineasta que caracteriza-se em provocar, mexer com o seu cinema. Espelhando-se em Luis Buñuel que em Um cão andaluz nos deixou aquela imagem do corte cirúrgico do olho e que após tantos anos, ainda nos provoca. Inclusive, Lars que dedica anticristo ao cineasta russo Andrei Tarkovski, deve ter certamente lido o livro do cineasta de O Espelho, já que Andrei faz essa referência sobre Buñuel em Esculpir o tempo.

Anticristo deu muito que falar no Festival de Cannes de 2009, tanto pela intensidade do filme, como pela narrativa emaranhada que exige do espectador a atenção para que possa montar todos os retalhos que estão postos “desordenadamente” ao longo do filme. Para deixar ainda mais curioso quem não assistiu, aqui vai um pedacinho do filme.

Fragmento de Anticristo




quarta-feira, 15 de junho de 2011

                                

   A gênese







Nossa! Que prazer, estímulo, satisfação, sensação de realização e outros inúmeros sentimentos que afloram e se misturam em uma teia gigantesca que se interligam em diversos pontos. Nada melhor que iniciar esta gênese desse blog com uma idéia abstrata, concreta e cheia de emoções, como a exemplo da arte cinematográfica. E a origem e motivação para o surgimento desse blog está plenamente ancorada no cinema, que seduz o homem a muito tempo.

Assim, a concepção desse blog é de ser um espaço de exercitação do pensar a arte cinematográfica nas mais diversas vertentes: história, produção, estética, etc. Não pretendo limitar-me, mas expandir-me na investigação dessa atividade, mergulhando nas profundezas do cinema. Portanto, este Blog "Esculpindo o Tempo" se faz como uma exercitação de procurar compreender os elementos ilimitados do cinema, bem como em trocar conhecimentos. Desse modo, comentários, sugestões, ou seja, a construção coletiva é muito bem vinda.

Quanto ao título do Blog "Esculpindo o Tempo" está calcado e se torna uma homenagem ao grande cineasta russo Andrei Tarkovski (1932 - 1986) que é o responsável por obras belíssimas como Andrei Rublev, O Espelho, Stalker, Solaris, A Infância de Ivan, O Sacrifício Nostalgia. Essas são as obras do cineasta que, como verdadeiro amante da arte, buscando-a compreendê-la em sua essência, revolucionou a estética e a forma do filme, a exemplo da beleza, simplicidade, complexidade, leveza em A Infância de Ivan.

Portanto, como devida homenagem a quem tanto tranformou o cinema, batizamos esse blog de "Esculpindo o Tempo" em referência ao seu livro "Esculpir o Tempo" que imprime as suas idéias e motivações sobre o cinema. Livro este escrito pelo próprio cineasta. E que incrível e apaixonante é você deixar se levar pelas concepções de Tarkovski que nos revela a sua compreensão sobre a função da arte em preparar uma pessoa para a morte, arar e cultivar a sua alma, tornando-a capaz de voltar-se para o bem. Que pensamento e concepção nobre! És a função da arte posta em poucas linhas, a sua espiritualidade, ou como outros queiram, a sua essência.

Aqui finalizo esse início deste Blog, deixando mais uma concepção desse artista que embora seja genial em suas análises e a exibindo-as concretamente em suas obras, muito foi incompreendido ainda em vida, mas hoje tido como obrigatoriedade de admiração e conhecimento por qualquer pessoa que queira penetrar no plano espiritual do qual o cinema se apresenta como meio condutor.

O poeta não tem nada de se orgulhar ele não é o senhor da situação, mas um servidor. A obra criativa é a sua única forma de existência, e cada uma de suas obras é como um gesto que ele não tem o poder de anular... Quando se estabelece uma ligação entre a obra e o seu espectador, este vivencia uma emoção espiritual sublime e purificadora. Dentro dessa aura que liga as obras-primas e o público, os melhores aspectos das nossas almas dão-se a conhecer, e ansiamos por sua ligação. Nesses momentos, reconhecemos e descobrimos a nós mesmos, chegando às profundiades insondáveis do nosso próprio potencial e às últimas instâncias de nossas emoções.

Um pedacinho do filme Stalker. O diálogo está em inglês.