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sexta-feira, 17 de junho de 2011



Lars Von Trier e Anticristo (2009).



Lars Von Trier

Dividido em prólogos, característica esta tão comum ao teatro, Lars Von Trier em Anticristo (Antichrist) ousou-se a falar sobre o bem e o mal. Não somente esse assunto, mas um turbilhão de outras temáticas como a loucura, e a sua incredulidade quando o assunto é ao tratamento psicológico.
Ousar parece ser uma palavra que faz parte da natureza do cineasta dinamarquês. Ele ousa não só pela quebra da narratividade do filme em prólogos, aspecto esse já utilizado em um filme seu anterior, Dogville, mas sim pela sua incapacidade em não relacionar o filme como uma forma de provocação. Provocar o público, provocar os diretores, provocar a crítica... provocar!
Confesso que no decorrer do filme pensei inúmeras vezes: “Não precisaria colocar essa cena.” Isso é um pensamento habitual que certamente todos os espectadores de Anticristo naturalmente são levados a balbuciar, mesmo que em um rápido pensamento. E isso eu não digo em relação ao início do primeiro prólogo que leva à tela uma penetração e não a sua simulação, pois o sexo na estética cinematográfica contemporânea acabou se tornando normal, levando muitos a dizerem que cinema e sexo são co-irmãos.
Quando remeto-me a provocação de Lars, refiro-me a intensidade da violência da imagem que salta da tela aos olhos dos espectadores. As cenas de perfuração do corpo humano são bastante fortes. Mas aí alguém pode rebater: “Sim, mas não faz parte da estética pós-moderna do cinema? E Jogos Mortais?”. No entanto, prefiro acreditar que a mutilação, perfuração, etc; não precisa fazer parte da estética e que causar uma sensação de terror, não necessitaria de dar visibilidade a pulsação do sangue ou cortar o corpo em fatias. Aposto que a vanguarda do expressionismo do cinema estaria levantando essa bandeira comigo.

Cena de Anticristo
No entanto, eis Lars Von Trier. Cineasta que caracteriza-se em provocar, mexer com o seu cinema. Espelhando-se em Luis Buñuel que em Um cão andaluz nos deixou aquela imagem do corte cirúrgico do olho e que após tantos anos, ainda nos provoca. Inclusive, Lars que dedica anticristo ao cineasta russo Andrei Tarkovski, deve ter certamente lido o livro do cineasta de O Espelho, já que Andrei faz essa referência sobre Buñuel em Esculpir o tempo.

Anticristo deu muito que falar no Festival de Cannes de 2009, tanto pela intensidade do filme, como pela narrativa emaranhada que exige do espectador a atenção para que possa montar todos os retalhos que estão postos “desordenadamente” ao longo do filme. Para deixar ainda mais curioso quem não assistiu, aqui vai um pedacinho do filme.

Fragmento de Anticristo




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